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Como controlar a ansiedade no trabalho: o que fazer antes e durante a pressão

Por Gustavo Garrido, Psicólogo (CRP 05/83794) · 17 de julho de 2026

ansiedade no trabalho
Resposta rápida: Para controlar a ansiedade no trabalho, aja em dois tempos. Antes da pressão, treine um “botão de calma” (um gesto ligado a um estado bom que você já viveu). Durante o pico, baixe o corpo primeiro: expire mais devagar do que inspira, por alguns ciclos, e só depois tente raciocinar. “Se acalmar na marra” não funciona, porque o alarme do corpo dispara antes da razão.

A reunião é daqui a dez minutos e o coração já acelerou. Ou o e-mail difícil está aberto há uma hora e você não consegue enviar. Ansiedade no trabalho não é falta de competência: costuma aparecer justamente em quem mais se cobra e mais entrega. A boa notícia é que dá pra treinar o que fazer antes e durante os picos, sem depender de “ter sangue frio” no susto.

Ansiedade no trabalho: o que está acontecendo no seu corpo

Sob pressão, o sistema de alarme do corpo dispara: o coração acelera, a respiração encurta e a parte do cérebro que raciocina com calma fica em segundo plano. Isso é fruto de hormônios do estresse (adrenalina e cortisol) que preparam o corpo pra reagir rápido. Serve pra um perigo físico. Só que o seu cérebro liga o mesmo alarme pra uma reunião, uma cobrança ou uma decisão difícil.

Por isso “se acalmar na marra” não funciona: com o alarme ligado, o raciocínio não manda no corpo. A ordem certa é ao contrário. Primeiro se baixa o corpo, depois a cabeça acompanha. Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas:

  • Nervoso pontual: aparece antes de algo específico (uma apresentação) e passa quando aquilo acaba. É esperado e até útil em dose pequena.
  • Ansiedade que não desliga: continua depois do gatilho, invade a noite, o fim de semana, e vira rotina. Essa merece atenção.

Antes da pressão: monte o seu botão de calma

O seu estado antes de uma reunião difícil pode ser treinado com antecedência. Você constrói, em casa, uma ligação entre um gesto discreto e um estado de calma que já viveu, e usa esse gesto como atalho na hora da pressão.

Pra aplicar agora

O botão de calma

Ferramenta do guia “A Mente Sob Comando” pra ter um atalho de calma que ninguém percebe. Treine antes, use na hora.

  1. Lembre de um momento real em que você esteve calmo, confiante e no comando. Entre na cena: veja o que via, ouça o que ouvia.
  2. Deixe a sensação crescer. No ponto mais forte, faça um gesto discreto e específico (por exemplo, pressionar o polegar contra o indicador).
  3. Segure o gesto alguns segundos no auge da sensação e solte.
  4. Repita 3 ou 4 vezes, sempre no pico do estado bom.
  5. Use minutos antes (ou durante) a reunião, a conversa difícil, a decisão. Ninguém percebe.

Exercício educativo, não substitui acompanhamento profissional. Em crise, ligue para o CVV (188).

Durante o pico: baixe o corpo primeiro

Se o alarme já disparou, respire com a saída mais longa que a entrada: inspire contando até 4, solte contando até 6 ou 8, por 6 ciclos. A expiração longa é o freio natural do corpo, ela avisa o sistema nervoso de que não há perigo. Depois nomeie o que está acontecendo (“é o meu alarme, não é perigo real”) e volte a atenção pra algo concreto: a caneta na mão, os pés no chão, a voz de quem fala.

Você não precisa estar calmo pra agir bem. Precisa de um jeito de baixar o corpo o suficiente pra a sua cabeça voltar a mandar nele.
ansiedade no trabalho

E quando o problema é a carga, não você

Às vezes a ansiedade é proporcional a um ambiente que pede demais: metas irreais, cobrança sem pausa, chefe que liga a qualquer hora. Aí o trabalho inclui limites e escolhas, não só técnicas de respiração. E vale lembrar o tamanho do problema: a Organização Mundial da Saúde aponta o Brasil como o país com a maior taxa de transtornos de ansiedade do mundo, cerca de 9,3% da população. Ou seja, se você sente isso, você está longe de ser exceção. Pra entender o quadro por uma fonte de saúde pública, consulte o portal do Ministério da Saúde.

Se além da ansiedade você duvida do próprio valor apesar das entregas, leia síndrome do impostor: como lidar. E na página ansiedade no trabalho e em quem decide eu explico como o acompanhamento funciona, 100% online.

Quando buscar ajuda profissional

Vale procurar um psicólogo quando a ansiedade no trabalho:

  • Aparece quase todo dia e já dura semanas.
  • Invade o sono, o fim de semana ou o tempo com a família.
  • Vem com sintomas no corpo (aperto no peito, falta de ar, dor de estômago) sem causa clínica.
  • Faz você evitar tarefas, reuniões ou decisões que antes encarava.

Perguntas frequentes

Como controlar a ansiedade no trabalho na hora de uma reunião ou apresentação?

Comece pelo corpo, não pela cabeça. Nos minutos antes, use um gesto de calma que você treinou (o botão de calma) e respire com a saída mais longa que a entrada, uns 6 ciclos. Durante, volte a atenção pra algo concreto (os pés no chão, a caneta) e nomeie por dentro “é alarme, não perigo”. Com o corpo mais baixo, o raciocínio volta e você consegue conduzir.

Sinto o coração disparar e a mão tremer antes de falar com meu chefe, mesmo quando não fiz nada de errado. É normal?

É comum, sim, e não quer dizer que você é fraco ou incompetente. É o alarme do corpo se ligando diante de uma figura de autoridade ou de uma situação que a mente lê como ameaça, mesmo sem risco real. Dá pra reduzir muito isso treinando a calma antes e baixando o corpo na hora. Se acontece com frequência e te trava, um acompanhamento ajuda a desarmar o gatilho na raiz.

Ansiedade no trabalho pode virar burnout?

Pode, quando a pressão é constante e não há recuperação. A ansiedade mantém o corpo em alerta; se isso vira rotina por meses, o esgotamento se instala. Por isso vale cuidar cedo. Se você já se sente exausto e “no automático”, veja como sair do burnout: por onde começar.

Leia também: ansiedade no trabalho: como funciona o acompanhamento e síndrome do impostor: o que é e como lidar.

Lembrando: a técnica ajuda no momento, mas não trata a origem do padrão nem substitui acompanhamento. O guia gratuito “A Mente Sob Comando” reúne as 7 ferramentas completas. E se você quer trabalhar a causa, fala comigo no WhatsApp: a primeira conversa é sem compromisso. Psicólogo CRP 05/83794.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento psicológico. Os resultados variam de pessoa para pessoa. Em caso de emergência emocional, ligue para o CVV (188, 24h) ou procure o serviço de saúde mais próximo.

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